A gasolina com 32% de etanol, denominada E32, já pode ser distribuída aos postos de combustíveis desde o último sábado (1º). O aumento de dois pontos percentuais na mistura foi aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em julho e, apesar da resistência de fabricantes, importadoras de veículos e de uma ação do Ministério Público Federal (MPF) pedindo a suspensão da medida, a comercialização está autorizada.
A nova composição deve chegar gradualmente às bombas nas próximas semanas, já que ainda há estoques da gasolina E30 distribuídos em julho. O tempo de substituição pode variar conforme a região do país.
A mudança faz parte da estratégia do governo para reduzir a dependência do petróleo importado e minimizar os impactos da alta internacional dos combustíveis. Especialistas afirmam que a nova mistura pode alterar o desempenho dos veículos. Nos modelos flex, pode haver aumento no consumo, já que o etanol possui poder calorífico inferior ao da gasolina, fornecendo cerca de 70% da energia por litro.
Os motores flex mais modernos tendem a compensar parte desse efeito por meio do gerenciamento eletrônico, que ajusta automaticamente os parâmetros de funcionamento ao identificar combustíveis com maior octanagem.
Já os veículos movidos exclusivamente a gasolina, principalmente os mais antigos, podem apresentar desgaste prematuro de componentes de borracha e elastômeros. Ainda assim, especialistas afirmam que, com testes e adaptações, esses motores também podem operar com a nova mistura. A conclusão dos testes de durabilidade é considerada essencial para avaliar os efeitos sobre componentes do motor.
A elevação do teor de etanol segue uma tendência iniciada nos últimos anos. Após permanecer em 27,5% entre 2015 e 2025, a mistura passou para 30% em agosto do ano passado e agora chega a 32%. A Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024) prevê ampliar esse percentual para até 35%, após novos testes laboratoriais.
Com informações de Cauê Lira, do Autoesporte.