O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça a suspensão da decisão do governo federal que eleva de 30% para 32% o teor de etanol anidro na gasolina, criando a chamada gasolina E32. A nova mistura, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), está prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.

Na ação, o MPF argumenta que não há estudos técnicos conclusivos que comprovem a segurança e a compatibilidade da medida com toda a frota nacional. O órgão também solicita indenização de R$ 500 milhões por danos coletivos.

A mudança faz parte da política do governo para ampliar o uso de biocombustíveis e reduzir a dependência da gasolina importada. A meta é alcançar uma mistura de 35% de etanol até 2029. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o aumento permitirá que o Brasil deixe de importar cerca de 500 milhões de litros de gasolina por mês.

Especialistas afirmam que veículos flex devem sofrer apenas um pequeno aumento no consumo de combustível, já que o etanol possui menor poder energético que a gasolina. Já em carros movidos exclusivamente a gasolina, principalmente os mais antigos, podem ocorrer problemas como corrosão de componentes de borracha, desgaste de elastômeros e falhas de funcionamento, devido à falta de compatibilidade com o maior teor de etanol.

A medida também enfrenta resistência da indústria automotiva. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) declarou apoiar o uso de biocombustíveis, mas considera que os testes realizados para validar a gasolina E30 não comprovam a segurança da adoção da E32. A entidade defende que novos estudos de durabilidade, emissões e compatibilidade da frota sejam concluídos antes da implementação da nova mistura.

Com informações de Cauê Lira, do Autoesporte.