Apesar de o mercado de seguro automóvel praticamente ter dobrado de tamanho na última década, a proteção ainda está longe da realidade da maioria dos proprietários de veículos no Brasil. Um levantamento inédito da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) revela que apenas 29% da frota nacional possui seguro. Na prática, cerca de 44 milhões dos 63,3 milhões de automóveis em circulação no país estão sem cobertura contra roubo, furto, colisões e outros imprevistos.
O estudo, elaborado com dados de seguradoras que representam aproximadamente 60% da arrecadação do setor, mostra que a classe C lidera a contratação, concentrando 41% dos segurados. Em seguida estão as classes B (24%), D (23%), E (7%) e A (5%). Segundo a CNseg, o avanço da classe média e a oferta de produtos mais flexíveis, com coberturas modulares e contratação digital, têm ampliado o acesso.
A maior parte dos segurados está na faixa etária entre 36 e 55 anos, que representa 55% da carteira das seguradoras. O levantamento também aponta que 73% das apólices cobrem veículos avaliados em até R$ 100 mil, indicando que o seguro deixou de ser um serviço restrito a carros de alto valor.
O Sudeste concentra 53% dos veículos segurados, seguido por Sul (16%), Centro-Oeste (15%), Nordeste (12%) e Norte (4%), refletindo a distribuição da frota e da renda no país.
Para a CNseg, o principal obstáculo à expansão do seguro é o custo. As apólices costumam representar entre 4% e 8% do valor do veículo, além de muitos proprietários ainda enxergarem o seguro como um gasto secundário.
Entre 2016 e 2025, a arrecadação passou de R$ 31,7 bilhões para R$ 61,6 bilhões, enquanto as indenizações aumentaram de R$ 21,2 bilhões para R$ 35,5 bilhões. Para 2026, a expectativa é de crescimento de 7,8%, impulsionado pela recuperação das vendas de veículos, renovação da frota e expansão dos modelos híbridos e elétricos. Com cerca de 44 milhões de veículos ainda sem seguro.
Com informações de Iago Garcia, do Autoesporte.