A cambagem é o ajuste do câmber, ângulo que mede a inclinação vertical das rodas em relação ao solo. Na maioria dos veículos, esse ângulo deve permanecer o mais próximo possível de zero, mantendo os pneus perpendiculares ao asfalto. Apesar de algumas oficinas oferecerem a regulagem da cambagem, a maior parte das montadoras não recomenda esse procedimento.

Quando o câmber está fora das especificações, as rodas podem ficar inclinadas para fora (cambagem positiva) ou para dentro (cambagem negativa). Em ambos os casos, o problema compromete o desempenho do veículo e acelera o desgaste dos pneus.

O principal sinal de uma cambagem irregular é o desgaste excessivo na parte interna ou externa da banda de rodagem. De acordo com o especialista do Comitê de Dinâmica Veicular da SAE Brasil, Mario Pinheiro, o desalinhamento também pode causar perda de estabilidade nas curvas e aumento no consumo de combustível, já que a área de contato dos pneus com o solo é reduzida, exigindo maior esforço do motor.

Segundo o especialista, a solução não está na regulagem da cambagem, mas na identificação da causa do problema. Na maioria das vezes, o desalinhamento é consequência de componentes da suspensão danificados, como amortecedores empenados, bandejas deformadas, buchas desgastadas ou pivôs com folga, geralmente após impactos ou desgaste natural.

Por isso, a recomendação é substituir as peças comprometidas para restabelecer a geometria original do veículo. Se a oficina sugerir apenas “corrigir a cambagem”, especialmente por meio de pancadas na suspensão ou do uso de macaco hidráulico para “desentortar” componentes, vale redobrar a atenção. Esse procedimento não costuma ser recomendado pelas fabricantes e pode mascarar um problema mecânico que exige reparo adequado.

Com informações de Fábio Black, da Quatro Rodas.