A ausência do limpador traseiro em alguns hatches chineses pode estar relacionada tanto à aerodinâmica quanto à redução de custos. Segundo Mario Pinheiro, especialista em dinâmica veicular da SAE Brasil, a pouca inclinação do vidro traseiro favorece a formação de uma zona de baixa pressão, especialmente em baixas velocidades. Isso gera turbulência, atraindo e acumulando resíduos que dificultam a visibilidade.

De acordo com o engenheiro, a retirada do equipamento pode ser justificada quando o projeto aerodinâmico do veículo é otimizado. A inclinação adequada do vidro e o uso de um aerofólio traseiro funcional podem direcionar o fluxo de ar e reduzir a turbulência, favorecendo a limpeza natural da superfície.

A redução de peso, com possíveis benefícios para o consumo, e a economia nos custos de fabricação também estão entre os fatores que podem motivar a decisão das montadoras.

No Brasil, dois dos três carros elétricos mais vendidos do país dispensam o limpador traseiro: o BYD Dolphin Mini, líder entre os modelos citados, e o Geely EX2, que também vem conquistando espaço no mercado nacional.

Já o BYD Dolphin GS chegou ao mercado brasileiro em 2025 sem o equipamento, mas passou a contar com ele a partir da linha 2025, conforme as informações divulgadas.

Como esses veículos não possuem a estrutura elétrica necessária, a instalação posterior do limpador não é simples e pode exigir alterações no vidro traseiro. Uma alternativa para minimizar o acúmulo de água é aplicar produtos hidrofóbicos, que ajudam a repelir a água e contribuem para a visibilidade.

Com informações de Mauro Balhessa, da Quatro Rodas e imagem de reprodução.